Trabalhos 2025-2026
Upcycling | Biodiversidade com REEE
Escalão 2: escolas de outros níveis de ensino a partir do 2º ciclo (inclusive)
Escola Escultor Francisco dos Santos (Sintra)
O processo de construção da escultura (3 fotografias: PNG, JPEG):
Detalhes que evidenciem a reutilização da escultura (2 fotografias: PNG, JPEG):
A escultura final (1 fotografia: PNG, JPEG):
Memória Descritiva:
Título da obra: “O Morcego Guardião da Biblioteca”
Dimensões da escultura
• Altura: 38,5 cm
• Profundidade: ± 50 cm (conforme a disposição das asas)
• Largura: ± 50 cm (conforme a disposição das asas)
Conceito da obra
A escultura representa um morcego enquanto símbolo de proteção, sustentabilidade e equilíbrio ecológico. O animal foi escolhido dado que os alunos pertencem à equipa da Brigada das Artes e simultaneamente à Malta da Biblioteca e deste modo se associar à biblioteca do Convento de Mafra, próxima da nossa região, sendo misterioso e um verdadeiro guardião dos livros antigos.
Os bibliotecários, deste espaço, respeitam, há muitos anos, a presença destes morcegos devido à sua utilidade ecológica e sustentável na conservação do património bibliográfico. Durante a noite, os morcegos alimentam-se de insetos que poderiam danificar os livros antigos, contribuindo naturalmente para a preservação da biblioteca.
Justificação da escolha do morcego:
A escolha deste animal teve por base três aspetos fundamentais:
1. Elemento da fauna autóctone portuguesa
O morcego é uma espécie pertencente à fauna autóctone portuguesa, desempenhando um papel essencial nos ecossistemas naturais.
2. Presença histórica na Biblioteca do Convento de Mafra
Na biblioteca do Convento de Mafra existem colónias de morcegos que habitam este espaço há muitos anos, tornando-se parte integrante da identidade e funcionamento ecológico da biblioteca.
3. Proteção ecológica dos livros antigos
Os morcegos ajudam a proteger os livros antigos ao alimentarem-se dos insetos que atacam o papel e as encadernações. Assim, representam uma solução natural, sustentável e ecológica de preservação do património cultural.
Sensibilização ambiental
Uma das preocupações da escola é melhorar a separação de resíduos e promover práticas sustentáveis. Este trabalho pretende sensibilizar toda a comunidade escolar para a importância da reutilização de materiais e da valorização dos resíduos REEE.
A reutilização criativa de componentes eletrónicos demonstra que muitos materiais considerados “lixo” podem ganhar uma nova vida através da arte, promovendo simultaneamente a educação ambiental.
A importância da proteção do ecossistema em geral e em particular da fauna autóctone, neste caso do morcego.
Materiais utilizados
A escultura foi construída maioritariamente com resíduos REEE não perigosos existentes na escola, associados à sua função e simbologia, nomeadamente:
• componentes de computadores (estrutura/corpo);
• gavetas de leitor de CD (estrutura/corpo);
• colunas de som (corpo);
• ratos de computador (comando- ecolocalização: orelhas);
• phones (audição: orelhas e focinho);
• Varetas de chapéu de chuva (asas – proteção: estrutura, membros superiores e inferiores, perna, cauda, antebraço e braço e dedos);
• fios elétricos (membros superiores e inferiores, perna, cauda, antebraço e braço e dedos);
• cabides de arame (ligações dos membros…);
• lâmpadas de lanternas (olhos – atentos luminosos);
• acessórios eletrónicos diversos (acabamentos, exemplo garras).
• Outros (exemplo: saco plástica, cola quente, fita isoladora)
Foi ainda utilizada a estrutura de um chapéu de chuva, escolhida pela sua resistência, forma estrutural e pela simbologia de proteção associada ao objeto.
As varetas do chapéu de chuva foram revestidas com fios elétricos, criando a textura do corpo e do pelo do mamífero. Para as asas, foi realizado um molde e utilizado um saco de lixo reutilizado, posteriormente dobrado em simetria e reforçado com fita isoladora preta.
Metodologia de trabalho
O projeto desenvolveu-se em várias fases:
1. Pesquisa e exploração de conceitos
o fauna autóctone;
o resíduos REEE;
o sustentabilidade e reutilização.
2. Investigação de espécies portuguesas
o recolha e apresentação de exemplos;
o seleção do morcego como espécie representativa.
3. Planificação da construção
o seleção segura dos materiais;
o análise das formas, silhuetas, texturas, movimentos e cores do animal;
o recolha de imagens de referência.
4. Campanha de recolha de materiais
o envolvimento de alunos, professores e restante comunidade escolar na recolha de resíduos REEE não perigosos.
5. Investigação científica
o recolha de informação sobre morcegos;
o realização de um PowerPoint informativo pelos alunos.
6. Construção da estrutura
o utilização de peças eletrónicas e da estrutura de um chapéu de chuva;
o experimentação e reformulação contínua da escultura.
7. Montagem e aperfeiçoamento
o colocação provisória dos materiais com fita-cola crepe;
o ajustes estruturais;
o adição dos pormenores finais.
8. Divulgação
o registo fotográfico das diferentes fases;
o apresentação do projeto às turmas, nas redes sociais, na página da escola e na Biblioteca Escolar.
9. Reflexão
o debate sobre as aprendizagens realizadas relativamente à fauna autóctone portuguesa, aos resíduos REEE, que destino lhe dar, e todos os desafios encontrados na elaboração da escultura com materiais não convencionais;
o passagem do testemunho e partilha de experiências com alunos de outras turmas;
o apresentação final do projeto à comunidade educativa.
Equipa responsável
Este trabalho foi realizado pelos alunos da Brigada das Artes do Programa Eco-Escolas, pertencentes também ao grupo de colaboradores da “Malta da Biblioteca”.
O projeto contou com:
• orientação da professora Ana Paula Costa;
• colaboração do professor Nuno Soares;
• apoio da professora Helga Vaz, coordenadora do projeto;
• colaboração de Marina Nunes, da Direção, que mobilizou os meios necessários para a concretização da iniciativa.
Foram organizadas pequenas equipas de trabalho, constituídas por 2 a 3 alunos (no total de 9 alunos), que participaram de acordo com a sua disponibilidade:
• na construção da escultura;
• na divulgação do projeto junto das turmas.
Valorização da Biblioteca Escolar
Implementou-se e irá continuar-se a implementar, na Biblioteca Escolar, um jogo didático relacionado com a valorização do livro enquanto tesouro a proteger e instrumento fundamental para o desenvolvimento dos alunos em todos os níveis.
A escultura ficará exposta na biblioteca e fará parte integrante desse jogo pedagógico, funcionando como elemento misterioso e simbólico associado ao imaginário do morcego e até à figura do “Batman”, conhecida pelas crianças. A Escultura, esteve exposta na 3.ª Reunião de Conselho Eco-Escolas.
Conclusão
Este projeto permitiu unir arte, ciência, sustentabilidade, património cultural e educação ambiental. A construção da escultura promoveu a criatividade, o espírito crítico e o trabalho colaborativo, incentivando simultaneamente a valorização da fauna autóctone portuguesa, a reutilização e separação correta destes resíduos REEE.
Os alunos envolveram-se de forma muito participativa e empenhada em todas as fases da metodologia de construção do morcego, desde a pesquisa inicial até à apresentação final do projeto. Demonstraram entusiasmo, criatividade e capacidade de cooperação, contribuindo ativamente para a recolha de materiais, investigação científica, experimentação artística e reflexão sobre as aprendizagens realizadas.
O morcego surge, assim, como símbolo de proteção do conhecimento, da natureza e da preservação sustentável dos livros e da memória cultural.
A escultura ficará exposta na Biblioteca Escolar, fará parte de um jogo pedagógico e podendo ser apreciada por todos os que participam nas atividades aí desenvolvidas, professores, alunos, assistentes operacionais, enquanto os alunos partilharão com os seus familiares a criação desta escultura com materiais REEE.
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